Os Grandes Números da Segurança do Paciente

//Os Grandes Números da Segurança do Paciente

Os Grandes Números da Segurança do Paciente

Temos revisado mais de 100 artigos e trabalhos mostrando estatísticas de erros. Ainda assim, é muito difícil chegar a números precisos. Para nós que estamos acostumadas às ciências da engenharia, nos custa entender tanta diferença entre uns trabalhos e outros. Pior ainda, há falta de clareza e sobre o que estamos realmente medindo, qual processo, em qual condição, etc.

Muitas vezes encontramos números que nos parecem exagerados e nos custa expressa-los em nossos trabalhos, pois isso criará um descrédito em todas as cifras apresentadas.

De todas maneiras, os números de erros são tão altos, quando comparados com outros setores, que não tem sentido discutir, se o valor correto é 6 ou 8 % quando o valor desejado deveria ser 100 vezes menor.

De acordo aos dados de IATA, durante 2014 voaram 3.100 milhões de passageiros e morreram 265. (Não considerando aviões pequenos pois, não são uma empresa ou indústria).

Isso nos dá 0,085 mortes por milhão de passageiros (265 / 3.100 = 0,085)

Se for no setor de saúde, o índice seria de 3 /1000, mortes por pessoas atendidas em um hospital. (Manifesto Err is Human, pág 1:  98.000 mortes, por erros do hospital, para 33,6 milhões de atendimentos).

O que nos dá para o setor da saúde, 3.000 mortes por milhão.

A comparação seria:  0,085 vs 3.000.

A relação entre os dois, seria de:  3.000 / 0,085 = 35.300  (35.300 vezes mais)

Quando um método de observação (análises dos prontuários) nos dá um valor 10 vezes inferior a outro (observação direta), ou um método objetivo como o Global Trigger Tool nos dá 10 vezes mais EA que os denunciados, teremos que deixar de discutir se o valor é 8 ou 22. Isso já não importa, os valores igualmente são exageradamente altos com relação aos outros setores. Ou seja, com relação ao valor que deveria ser, e que tal vez possamos conseguir no futuro.  Os números não podem ser o objetivo final de um estudo, pois igualmente são desproporcionalmente exorbitantes.

OS GRANDES NÚMEROS

Estes seriam os números mais consensuados universalmente.

  • 10% dos atendimentos têm um EA (dado da ANVISA e a WHO).
  • Desses, 50% são evitáveis (existe uma grande coincidência entre os números, neste valor)
  • 30% dos EA do hospital, acontecem no processo de Medicação (D. Bates)
  • 30% das medicações têm erro com dano.
  • 50 % dos EA de administração de medicamentos são graves ou moderados, o resto são de incidência leve.

Temos encontrado muitas disparidades na preocupação com a Segurança do Paciente e a Qualidade em diversos países. Inclusive dentro de Europa.

Muitos valores são conseguidos de autodenuncias, que ainda seguem sendo um assunto com resistência, em todo mundo. Os valores autodenunciados variam muito de uma cultura a outra. As estatísticas copiam essa disparidade. Não nos deve estranhar, então que as estatísticas copiam essa disparidade.

Alguns estudos consideram, que os indicadores em países em vias de desenvolvimento seriam 3 vezes maiores, que os desenvolvidos.

Queremos dizer com isto que não importam tanto a acurácia dos índices. Os valores igualmente são elevadíssimos. Teremos que mudar de procedimentos e oferecer todos os meios, para que os profissionais da saúde, para que façam bem seu trabalho. Talvez porque a Saúde é um direito individual, reconhecido em quase todo o mundo e mantido muitas vezes por governos, não recebe tanto investimento como outros setores.

É inacreditável, que muitas instituições de saúde não tenham uma forte motivação econômica, para melhorar a qualidade. Em muitos casos, se o paciente deve permanecer 6 dias mais por um EA, o hospital continua recebendo pagamento, por cada dia ocupado. Ou seja, ganha mais com os EA.

UNA REFLEXÃO SOBRE O MANIFIESTO “ERRAR ES HUMANO” do  INSTITUTE OF MEDICINE,  USA.

Preface:

To Err Is Human: Building a Safer Health System.

The title of this report encapsulates its purpose. Human beings, in all lines of work, make errors. Errors can be prevented by designing systems that make

it hard for people to do the wrong thing and easy for people to do the right thing. Cars are designed so that drivers cannot start them while in reverse because that prevents accidents. Work schedules for pilots are designed so they don’t fly too many consecutive hours without rest because alertness and performance are compromised.

In health care, building a safer system means designing processes of care to ensure that patients are safe from accidental injury. When agreement has been reached to pursue a course of medical treatment, patients should have the assurance that it will proceed correctly and safely so they have the best chance possible of achieving the desired outcome.

Este trabalho lançado em 1999, foi o pontapé inicial para o grande trabalho sobre a qualidade que aconteceu nos 15 anos seguintes.

Ele também diz: errar é humano e é natural em nós, e isso, não podemos mudar. Então devemos preparar-nos para quando o erro aconteça. Devemos aceitar que vamos errar e criar sistemas que resolvam esse incidente.

James Reason: Não podemos mudar o ser humano, mas podemos mudar as condições nas quais ele trabalha, para melhorar os resultados.

Nós enfatizamos a utilização de sistema automatizados ou informatizados, conduzindo os processos, mas sempre com a supervisão e vigilância atenta dos profissionais.

Devemos dar para esses profissionais,  todas condições necessárias para fazer um bom trabalho.

By | 2017-02-27T18:05:10-03:00 fevereiro 27th, 2017|Artigos|1 Comment