Ferramentas da Qualidade e a Segurança

//Ferramentas da Qualidade e a Segurança

Ferramentas da Qualidade e a Segurança

De acordo com o Institute of Medicine, dos EUA, a Segurança do Paciente é parte da disciplina de Qualidade. Em geral no mundo se fala Qualidade e Segurança do Paciente e, em muitos casos, de Quality Assurance ou Segurança da Qualidade, como um todo, envolvendo ambas as disciplinas.

Embora tenham muitas ferramentas em comum, as duas disciplinas têm diferenças.  A Qualidade está orientada ao melhoramento da performance ou da eficiência do sistema, enquanto a Segurança está orientada a diminuir o Erro.

A Segurança tem tido muito marketing e recrutado muitas vontades, mas não devemos esquecer da Qualidade, pois ela é um conceito mais amplo e também melhora a Segurança.

Exemplo: o tempo para aplicar uma droga numa emergência é um tema de Qualidade. Descuidar de uma interação medicamentosa por não consultar a literatura é um tema de Segurança. Ambos influem na qualidade do atendimento.

Não tem sentido trabalhar na Segurança se não trabalhamos simultaneamente na Qualidade.

As duas disciplinas têm consequências financeiras importantes.  A melhoria da Qualidade diminui os desperdícios, frequentemente avaliados em 30% e a melhoria da Segurança reduz os retrabalhos e o tempo de permanência no hospital, entre outras coisas.

No setor da saúde, CDI ou Continuos Quality Improvement é uma disciplina baseada no TQM – o Total Quality Management – que o Dr. Deming aplicou no melhoramento da Qualidade no Japão.

PDCA

Plan – Do – Check – Analyze. (Prepare – Faça a mudança – Controle os resultados – Analise o próximo passo).

Também chamado PDSA, ou seja, Plan, Do, Study, Act. Estamos posicionando-o no primeiro lugar, neste post, pois deveria ser a ferramenta mais utilizado por todos. É quase um vício para os responsáveis da Qualidade, uma forma de ver as coisas.  Eles mantêm vários PDCA em estudo simultaneamente. Esta ferramenta pode ser aplicada a um problema organizacional qualquer, até para o estudo de uma fila de espera.

Seu uso está recomendado em forma sucessiva, ou seja, depois de terminar um PDCA, começa outro sobre o mesmo tema, melhorando os indicadores do anterior. Quando o problema está muito ajustado e deve-se trabalhar mais afinadamente, recomenda-se o uso de outras ferramentas, como o DMAIC.

PDCA (Plan, Do, Check, Act)

O nome PDCA nos indica as seguintes etapas:

  • Plan:
    • Defina o problema que se quer melhorar.
    • Defina qual é o objetivo de estudo.
    • Mantenha o foco nisso.
    • Planeje o estudo.
  • Do:
    • Treine as pessoas que vão fazer o controle.
    • Execute o estudo.
  • Check:
    • Verifique como foi feito o controle.
    • Prepare os indicadores.
  • Analyze:
    • Se alcançou os objetivos pretendidos, confirme e assegure a mudança com mais medidas melhorativas.
    • Se não alcançou os objetivos defina o que deve mudar e inicie um novo PDCA.

PDCA - Pasos seguientes

A utilização de sucessivos PDCA é uma necessidade e define a potencialidade desta ferramenta para se chegar ao núcleo da questão. Os objetivos da etapa P, do segundo PDCA, podem ser modificados e melhorados de acordo com o anterior.

OS 5 PORQUÊS

WHY? – WHY? – WHY? -WHY? – WHY?

É uma técnica simples que nos obriga a evitar respostas simplistas e a seguir aprofundando (minerando) à procura das causas primárias.

Justamente uma das claves das HRO, ou seja, Organizações de Alta Confiabilidade (High Reliable Organizations) é não aceitar nunca respostas que não tenham cavado a fundo na raiz do problema.

Exemplo:  a enfermeira não consultou sua dúvida sobre o uso de um medicamento.

  • Por quê? O telefone da farmacêutica esteve ocupado por vários minutos.
  • Por quê? Normalmente ele dá ocupado. Esse telefone  está sempre ocupado.
  • Por quê? A Farmacêutica demora muito com algumas chamadas.
  • Por quê? Porque ela deve buscar a informação em arquivos físicos.
  • Por quê? Porque falta um programa num computador na mesa da farmacêutica para encontrar as respostas rapidamente.

Não é preciso deter-se aqui e pode seguir além, até ter uma resposta satisfatória que nos indique que temos chegado à causa primária.

ESPINHA DE PEIXE OU DIAGRAMA DE ISHIKAWA

Esse diagrama pretende chegar às causas iniciais de cada problema. Começou com Ishikawa aplicando à indústria e classificando em 4 temas ou 4M: Mão de Obra, Materiais, Meios (máquinas) e Métodos. Depois foi se estendendo a outras causas e adaptado ao setor da Saúde.

Diagrama de Ishikawa - Espinha de Peixe

Diagrama obtido do site www.nthsa.gov.

Cada espinha se abre a novas causas. Todas de uma mesma categoria apresentam-se agrupadas.

PARETO

O princípio de Pareto nos diz que 80% dos efeitos tem origem em 20% das causas.

Este engenheiro de ferrovias, que morava na Itália e nascido na França, descobriu como este princípio é válido em muitos campos de estudo.

Embora não se aplique exatamente na proporção 80-20, ele tem de fato validade surpreendente como princípio geral e nos ajuda a focarmos numa pequena quantidade de elementos a estudar.

Como derivação deste princípio, está o diagrama de Pareto Acumulado. A continuação amostramos como frequência acumulada.

Pareto - frequência cumulativa

Como os fatores A e B chegam a 77%, muito perto de 80%, provavelmente você queira parar e estudar apenas esses fatores e deixar os outros para o seguinte estudo.

Depois da correção do problema, você fará um novo Pareto e as relações terão mudado e provavelmente agora o C esteja dentro das causas a estudar.

SWISS CHEESE MODEL

O modelo do Queijo Suíço foi criado pelo Dr. James Reason, médico psiquiatra, especializado no estudo de acidentes e riscos, quando era professor na Inglaterra.

O modelo nos introduz no conceito das falhas latentes dentro de um sistema. Utiliza o conceito de elementos catalizadores ou disparadores, tirado da teoria dos elementos complexos. Também que a falta de barreira, outro conceito introduzido, chega a possibilitar um acidente ou erro. Os furos do queijo são falhos em potencial, descuidadas em cada categoria e com potencialidade de deixar passar o problema.

A simplicidade da apresentação, que diz que quando os furos do queijo estão alinhados gera-se um acidente, criou a popularização do modelo. Serve para o estudo de qualquer tipo de causa. O Dr. Reason aconselha a utilização de uma ou duas barreiras, no final do processo, para evitar que a falha chegue a ocorrer.

Swiss Cheese Model

Recomendamos a leitura do libro The Human Contribution, de James Reason, onde salienta o quão importante é ter pessoas nas barreiras de controle no processo, e recomenda a utilização de barreiras de controle no final dos processos.

Barreiras de controle

ROOT CAUSE ANALYSIS –  RCA

Usualmente utilizado como estudo posterior ao incidente ou reativo, vai procurando por camadas as causas de cada uma das falhas. Apoia-se na Graph Theory, de base lógica e matemática com nós nas relações entre as causas e os efeitos.

Este método vai fazendo uma mineração (dig in) da informação, utilizando também a técnica dos 5 porquês (why) em cada etapa.

No setor da Saúde tem-se utilizado o Agregate RCA, como método proativo, para estudar vários casos e definir tendências que levem a diminuir os erros.

Também é utilizado o RCFA (Root Cause Failure Analysis), trazido da Engenharia.

RCFA (Root Cause Failure Analysis)

FAILURE MODE AND EFFECTS ANALYSIS –  FMEA and HFMEA

Utilizado para evitar incidentes, essa ferramenta desenvolvida pela NASA introduz o cálculo probabilístico tanto na possibilidade de acontecer um incidente em determinado nível como nos potenciais efeitos desse incidente.

Tem-se utilizado o HFMEA (Health Failure Mode and Effects Analysis) na Saúde. Os 5 passos do método são:

  1. Defina o tema de estudo.
  2. Monte seu time de profissionais.
  3. Desenvolva o mapa do processo a estudar.
  4. Conduza a análise dos riscos através de uma árvore de causa-efeito.
  5. Desenvolva as ações a serem tomadas para ter os resultados desejados e sinalize quem será o responsável por cada ação.

Essa ferramenta tem levado, muito frequentemente, a reconhecer a necessidade de uma Taxonomia (categorização) definida e uma Terminologia padronizada e divulgada nos treinamentos dos profissionais envolvidos.

LEAN – SIX SIGMA

A combinação das metodologias LEAN com as 6 Sigma, deu nascimento a essa disciplina.

Difundida através de certificações de profissionais como Green Belt, Black Belt, etc, serve para treinar pessoas num sistema que aponta a diminuir tanto o desperdício como os erros.

Sua ferramenta principal é o DMAIC: Define, Measure, Analyse, Improve and Control. Ou seja, definir o tema do processo a estudar, mensurar, analisar, melhorar e controlar.

SIX SIGMA refere-se ao parâmetro probabilístico 99,99966 % de que não aconteça um erro ou defeito, ou seja, 3,4 defeitos por milhão de eventos, conceito esse que, desenvolvido pela Motorola, estendeu-se a todas as indústrias. O método se baseia em mensurar com precisão estatística os problemas para ir corrigindo-os com suas ferramentas.

LEAN é uma metodologia desenvolvida principalmente a partir das técnicas de controle da Toyota. Baseada em eliminar tudo aquilo que não entrega valor ao cliente, está orientada a reduzir desperdícios de tempo, material e espaço, entre outros.

Utiliza a inserção de um “controle positivo” ou poka yoke, para evitar erros pela força dos mecanismos.

Digital Six Sigma DMAIC Improvement Process

DMAIC é sem dúvida a ferramenta mais completa de todas as anteriores.

Queremos despertar o interesse dos profissionais da saúde sobre estes temas. O domínio total dos mesmos requer de um curso adequado e extenso, que excede as possibilidades deste blog.

Conclusão:

Se ficou interessado pela Qualidade e Segurança, comece a utilizar o PDCA todos os dias.

By | 2017-11-22T16:14:55+00:00 novembro 22nd, 2017|Artigos|0 Comments