Trabalhar para melhorar o estado de saúde de toda uma comunidade é diferente que curar quem chegar até o hospital.   O custo também é diferente.

A pandemia irá converter-se numa pandemia suave em 60 ou 90 dias. Se tudo seguir assim, seremos sobreviventes de uma das crises mais graves do mundo em muitas décadas. Isso está bom, mas agora que fazemos?

Todos sabemos que o planeta inteiro mudou. O que não sabemos exatamente, que tendências e soluções teremos à frente.

Talvez o mais firme seja pensar que a pandemia acelerou o futuro. O que já se estava insinuando, agora ficou mais definido. A pandemia foi um catalisador da mudança.

Nossa fragilidade como pessoas e como instituições, nos fez pensar muito em que temos que mudar. E não basta dizer que agora temos home-office e mais comunicação digital.

O segundo ponto mais firme é pensar que problemas de grande magnitude podem acontecer outra vez nos próximos anos. Agora sabemos que os cisnes negros existem.

O setor de saúde, igual a muitos outros, precisa aumentar seus lucros. E temos que fazer isso através de uma organização diferente de nosso negócio.

Uma nova modelização é agora aceita por todos os atores e isso é uma mudança.

Vamos passar algumas ideias pensando que sua instituição já tem operado como uma asseguradora de saúde, ou seja como um plano de saúde. Se sua instituição não está nessa etapa, então estuda um pouco, pois deveria trabalhar nessa modalidade. Isso assegura um ingresso mais contínuo. Além disso é uma estratégia win-win para todos, como veremos a continuação. Pagar por serviço prestado, tem o lado ruim pois ninguém irá contra seu negócio. Então quanto pior o sistema de saúde geral, melhor para os que prestam serviço.

Temos que sair desse modelo, pois não permite trabalhar para manter a população com boa saúde para poupar recursos que são escassos.

Por outro lado, se você não tem um contato contínuo com seu cliente ou paciente, então toda a tarefa fica mais difícil.

Vejamos algumas ideias.

Etapa pré-hospitalização

Aqui a tarefa de prevenção, pode diminuir seus custos em até 30%. Com o aumento de esperança de vida, aparecem muitas doenças crônicas na população. Obesidade, diabetes, cardiopatias, que se somam a tabaquismo, sedentarismo, etc, constituem um custo que pode ser diminuído com prevenção, educação e meios dedicados a isso. Um maior gasto na prevenção, representa uma maior economia depois.

Devemos adicionar aqui que os meios digitais, permitem seguir aos pacientes nas suas moradias com contatos frequentes e instruções. Isso implica, organizar e até reduzir a entrada no hospital.

Etapa hospitalização

Um simples aplicativo, permitiria organizar os horários e a chegada de paciente ao hospital. Se somamos que ele pode incluir os dados do prontuário do paciente, temos uma maior precisão de informação e grande redução do custo para levantar sua história.  Temos que considerar que antecipar a avaliação do paciente, pode brindar uma melhor orientação do mesmo, no ingresso na instituição de saúde, de acordo a sua urgência e doença, seja ele posto de saúde, PA ou hospital e permitiria um manejo mais eficiente do fluxo e evitaria que ter que usar um meio mais sofisticado que o necessário para atender ao paciente.

Etapa pós-hospitalização

Aqui se produzem muitas readmissões por um manejo inadequado na alta do paciente. Muitos pacientes voltam e voltamos a gastar. Além de melhorar as instruções no momento da alta, pode-se fazer contato com o paciente nos dias seguintes e com seus familiares, para conferir a continuidade do tratamento. Existem hoje também, tecnologias para assegurar a administração do medicamento correto na hora correta para o paciente e sua comprovação.

Tudo isto que está brevemente descrito, tem um conceito central:  considerar o paciente dentro de uma comunidade com a qual você está em contato, sempre que necessário.

Deixar de trabalhar com o paciente dentro do hospital, para atendê-lo onde estejam e em qualquer momento, é uma mudança de paradigma. Os meios digitais agora em mãos de todos e são aceitos por todos.

Etapa de hospitalização

Agora sabemos que quase todo o mundo possui um smartfone e podemos usar esse recurso. Seria muito fácil, guardar o prontuário do paciente em seu aparelho móvel ou na nuvem, protegido por tecnologia block-chain. Além de melhorar a qualidade das consultas médicas, também economizaria tempo e dinheiro. Poderíamos orientar a ida ao hospital num horário definido para a consulta, reduziríamos a confusão de muitas pessoas chegando as 8 da manhã. Poderíamos enviar mensagens para a família e pedir certa ajuda. Eles poderiam controlar alguns procedimentos e nos ajudariam. As possibilidades de fazer coisas com um computador de mão que agora todos aceitam e possuem, são infinitas.

Nenhum negócio pode prosperar com 30% de desperdício e esse é o montante reconhecido por gestores, que se perde nos hospitais.

O verdadeiro lucro está aí e não apenas em seguir aumentando os serviços. A qualidade dos procedimentos e bom manejo de seus estoques são os elementos chaves para acionar.

Agora é o momento. A pandemia nos fez mudar de forma de pensar. Não podemos perder esta oportunidade.